Durante as eleições só se ouvem “promessas e mudanças”. Essas duas palavras me chamou atenção, considerando que a grosso modo desejamos “revolucionários” no campo da política,
ou seja, pessoas que tenham a grandeza de mexer nas estruturas do
poder, de fazer a justiça social acontecer e todas as reformas
necessárias, tendo como meta a felicidade de todos.
Diante do fato, me fiz uma pergunta: qual a mudança que a “senhora da ponte” deseja?
Pois bem, penso que como qualquer um de nós, brasileiros/as, essa
cidadã está cansada de ver e ouvir nos telejornais generalizações tipo
“todos os políticos são corruptos”, “não se salva nenhum”, “todos são da
mesma laia”, etc. Quando não a mentalidade rasteira de demonizar tudo e
todos... Talvez ela, desanimada e sem horizontes, raciocine com
Shakespeare: “As pirâmides que novamente construíste não me parecem
novas, nem estranhas; apenas as mesmas com novas vestimentas”. Levando
em conta a realidade de nosso país, a impressão que tenho é que o
pensamento do político não muda, apenas se adequa às conveniências do
momento; trocam-se as figurinhas, mas as ideias/desejos acerca do poder
permanecem.
“Temos de nos tornar na mudança que queremos ver no mundo!"
Por outro lado a “senhora da ponte” também me fez pensar sobre a “mudança” de uma sociedade. Que mudança?
Dias atrás um senhor me parou para dizer que seu candidato a prefeito
dispõe de 400 mil reais para torrar na política. Algo odioso.
Indubitavelmente, esse recurso será gasto na compra de votos. Assim
sendo, chegamos à triste conclusão: só se vende voto porque tem quem
compra. Quem é mais corrupto?! Por isso, nossa sociedade deve começar a
cobrar dos políticos a mudança que deve começar em cada um. É fácil e
cômodo exigir ética nos outros, especialmente nas autoridades. Ah, se
todos os cidadãos aprendessem a magna lição de Gandhi: “temos de nos tornar na mudança que queremos ver no mundo”!
É fato: as eleições municipais estão chegando e vai exigir de nós o exercício da cidadania, ou seja, vamos às urnas para votar.
Que a escolha (secreta!) seja não para àqueles/as que prometem mundos e
fundos, mas nos homens/mulheres que antecipem na própria
vida/família/sociedade a transformação que pretende efetivar quando
eleitos. A promessa sai pela boca para conquistar um voto; o desejo (não
teatral) é gerado no coração, oxalá movido pela compaixão para com os
empobrecidos e com sede de justiça.
Por fim, dê-se o voto ao administrador
ao invés do político profissional. É importante examinar com calma o
histórico do candidato que concorre às eleições. O administrador não
visa interesses próprios e/ou corporativos, já o político tradicional
quase sempre se alia aos financiadores de campanha e aos interesseiros
de plantão. Pensemos: as eleições, para além do exercício democrático do
voto, é tempo de prometer para nós mesmos (e não ouvir promessas
politiqueiras) que a mudança que desejamos para os nossos municípios
deve começar dentro de nós!
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